quarta-feira, 1 de abril de 2015


1983- MISSÃO ARQUEOLÓGICA EM ANGOLA

Na zona de Benguela, com a equipa do Museu Nacional de Arqueologia (1983)

A notícia do seminário internacional “África: Arqueologia e Paisagem” a ter lugar em Mação no próximo mês de Junho, numa organização conjunta do CEAUP (Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto), do ITM (Instituto Terra e Memória) e do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra (Grupo de Quaternário e Pré-História), reavivou a minha intenção de divulgar alguns materiais há muitos anos na gaveta e que remetem, no meu caso pessoal, para a única experiência arqueológica africana que tive oportunidade de viver, infelizmente muito limitada e praticamente sem consequências. Mais do que os dados informativos em si pouco relevantes, interessa-me dar testemunho do que foi a experiência profundamente afectiva do (re)encontro em 1983 entre colegas do mesmo ofício, falando a mesma língua e imbuídos da mesma cultura e formados (quase) na mesma escola e que apesar das distância, lutavam afinal pelos mesmos ideais de cultura e conhecimento. De facto, iriamos encontrar em Benguela, além de Pais Pinto, a Ana Paula Tavares, ambos ex-alunos de Victor Gonçalves e de Vitor Oliveira Jorge no Bacharelato em História de Sá da Bandeira/Lubango, também nossos professores e colegas em Portugal. Na realidade, ainda que o desafio que Luis Pais Pinto nos fizera em Lisboa, meses antes, fosse no sentido de apoiarmos programas de formação e investigação do Museu Nacional de Arqueologia de Angola (que ele com o apoio de Henrique Abranches e do próprio Agostinho Neto instalara em 1976 na antiga alfandega de Benguela), a verdade é que os serviços públicos de arqueologia em Portugal, estavam praticamente a nascer e ainda a instalar-se. Por outro lado, as condições subjectivas de natureza política e sobretudo a  situação objectiva no terreno, por causa da guerra civil que se prolongaria por mais vinte anos, eram muito pouco propícias ao desenvolvimento de programas de cooperação neste campo. 




Mas Pais Pinto era um lutador, pese embora os seus graves problemas de saúde (já faleceu entretanto), e nunca desistiria daqueles objectivos. Nas pesquisas na INTERNET que entretanto fiz para me actualizar em relação à “Arqueologia Angolana” (que até agora não ia além da obra fundamental, com aquele título, de Carlos Ervedosa, editada em 1980 pelo próprio Ministério da Educação de Angola e  pelas Edições 70) percebi que Luis Pais Pinto tentou ainda organizar em 1985 com Miguel Ramos, (1932-1991) muito ligado à arqueologia de Angola através da Junta de Investigações Científicas do Ultramar, depois Instituto de Investigação Científica Tropical, um instituto médio de arqueologia para formação de técnicos de campo. Miguel Ramos terá mesmo integrado uma missão arqueológica internacional de apoio ao Museu de Benguela, em 1988 conforme é relatado por Conceição Rodrigues no "In memoriam" que publicou no Arqueólogo Português.


2013-O "chantier-école" decorrente do protocolo promovido por Manuel Gutierrez
Falhando a cooperação portuguesa, os angolanos viraram-se para França, nascendo no final dos anos 90 um programa de colaboração entre o Museu de Benguela e a Universidade de Toulouse II, sob a orientação do arqueólogo Manuel Gutierrez, que chega a iniciar, tal como nós fizéramos em 83, escavações na zona da Baía Farta. No entanto, apenas com o final da guerra civil (2002) mas já com Gutierrez ligado à Universidade de Paris I- Panthéon Sorbonne, essa cooperação começaria a ser mais efectiva, traduzindo-se tentre outros aspectos na formação de quadros angolanos em Paris. Mais recentemente, em 2013, Manuel Gutierrez através de um acordo entre a sua universidade e a universidade Katiavala Bwiba de Benguela, constituiu um “chantier-école” na Baía Farta, visando a formação prática dos estudantes angolanos. A par da zona de Benguela, pela Pré-história Antiga e Idade do Ferro ou da Arte Rupestre mais a Sul no Namibe, áreas onde, para além dos franceses, o Instituto Terra e Memória ligado ao Instituto Politécnico de Tomar, sob o impulso de Luiz Oosterbeek tem desenvolvido recentemente programas de cooperação, ganhou recentemente algum destaque a arqueologia em MBANZA CONGO, onde se tem conjugado o interesse político do Ministério da Cultura de Angola que procura o reconhecimento das ruínas da antiga capital do reino do Congo como “Património da Humanidade” e o interesse científico da Universidade de Gent (Bélgica), que aí actua há alguns anos através do Projecto KONGOKING.

A missão de 1983, promovida e logisticamente assegurada em todos os aspectos, exclusivamente pelas autoridades angolanas, era constituída por mim, na altura já com responsabilidades directivas no Departamento de Arqueologia do IPPC, pelo Luis Raposo, técnico do Museu Nacional de Arqueologia, por Maria João Coutinho, técnica da Faculdade de Letras de Lisboa e ainda por Hans Siefener, um alemão radicado em Portugal, já falecido, colaborador de vários trabalhos de campo promovidos pelo GEPP (Grupo para o Estudo para o Paleolítico Português). Não deixa de ser curioso que a única referencia escrita que encontrei a esta missão de 83, conste de uma monografia académica, apresentada na Universidade brasileira de Campinas em 2013 por Bruno Pastre Máximo (Uma História da Arqueologia na África: Peculiaridades, conflitos e Desafios da Disciplina em Angola) que associa a pequena escavação que fizémos num concheiro da Baía Farta com a equipa do Museu de Benguela, a um projecto de cooperação com o "Grupo Paleolítico Português" (Sic). De facto, todos estávamos ligados ao GEPP embora, não fosse nessa qualidade que respondemos ao apelo de Pais Pinto.



Da parte angolana, contámos em Luanda com o apoio de Jorge Sande Lemos, antropólogo primo do nosso colega e um dos fundadores do GEPP, Francisco Sande Lemos, que nos levou a visitar os concheiros  da Barra do Kuanza que haviam sido escavados por Santos Júnior e Carlos Ervedosa nos anos 70. Jorge Sande lemos, acompanhou-nos depois na viagem aérea para Benguela, onde com Luis Pais Pinto e Ana Paula Tavares montámos uma escavação experimental num dos vários concheiros conhecidos na zona da Baía Farta, em que o principal objectivo era a formação prática em arqueologia de campo, da numerosa mas pouco qualificada equipa do Museu. Com objectivos semelhantes procedemos ainda a algumas prospecções nos terraços marinhos a Sul de Benguela onde revisitámos sítios paleolíticos estudados por Desmond Clark nos anos 60. E nunca mais esquecerei, pelo que significava em termos de comportamento dos nossos antepassados hominídeos, a estranha sensação de "déjà vu", ao recolher numerosos "bifaces" e "machados" acheulenses, que poderiam ser associados, sem qualquer hesitação, aos que encontrávamos, em condições semelhantes, no vale do Tejo, a milhares de quilómetros de distância. 

Em Angola, Maio de 1983, a equipa portuguesa da missão arqueológica: Luis Raposo, Mª João Coutinho, A.C.Silva e Hans Siefener


(Nota: o texto que se segue, é a transcrição fiel, sem actualizações dum texto de Julho de 1983, que escrevi na sequencia da Missão a Angola e que nunca antes foi divulgado)


ARQUEOLOGIA- UM CAMPO POSSÍVEL DE COOPERAÇÃO COM ANGOLA
(a cooperação cultural com os novos países de expressão portuguesa também passa pela investigação da "outra” história)
A recente visita a Angola -a convite e expensas do respectivo governo- duma equipa de arqueólogos portugueses, serve de pretexto para abordagem do tema "arqueologia angolana" bem como das potencialidades de cooperação portuguesa nesta área da cultura e da ciência, num momento em que a as questões de cooperação com as ex-colónias se coloca de novo nas primeiras páginas.

O primeiro trabalho conhecido sobre a arqueologia angolana, deve-se, significativamente, a um oficial inglês (1818) e abordava já um dos seus campos mais interessantes, a "arte rupestre". Os primei­ros trabalhos de portugueses surgiriam apenas no final do século XIX, reflexo, ainda que ténue, do extraordinário desenvolvimento que a ar­queologia portuguesa atravessava na época. Nomes de arqueólogos metropolitanos, como Ricardo Severo, Nery Delgado ou já no início do nos­so século, Leite de Vasconcelos, deixam o seu nome ligado, ainda que sem qualquer carácter sistemático ou organizado, à arqueologia angolana. Aliás, tais trabalhos resultavam muito mais como efeitos secun­dários do surto de exploração geográfica, característico da época, do que duma preocupação mais ou menos consciente pelo reconhecimento ma­terial de eventuais vestígios de culturas desaparecidas. Daí um relacionamento estreito entre a arqueologia e a geologia, daí uma curiosidade especial pelo paleolítico, tema retomado já nos anos trinta por Rui de Serpa Pinto-cujo centenário se comemora esta ano- e Santos Júnior. Curiosamente, ficaria a dever-se ao apoio da Companhia dos Diamantes de Angola, o desenvolvimento dum programa de pesquisa sistemático, na sua área de acção, a Lunda, sobre os vestígios paleolíticos dessa região, que teve a comparticipação de investigadores estrangeiros famosos, como Breuil, Leakey e muito especialmente Desmond Clark. Essa acção teve tal importância, que muitos dos conceitos estabelecidos então (anos quaren­ta) continuam a servir de referência essencial. Paralelamente davam-se os primeiros tímidos passos na abordagem de outros assuntos. Investiga­dores de formação etnológica, como Redinha, sentem necessidade de abor­dar os vestígios artísticos ou monumentais, cuja descoberta se multiplica à medida que avança a ocupação efectiva do território, a fim de compreenderem a cultura dos povos contemporâneos, primeira preocupação do seu estudo.
Se exceptuarmos o caso da Lunda -absolutamente excepcional, quer pelos investigadores envolvidos, quer pelas características da área em causa- a arqueologia angolana, até aos anos sessenta, é um conjunto de "episódios", mais consequência de outras actividades, do que objecto com sentido e fim próprio. Produto, afinal, da curiosidade de geólogos, etnólogos ou simples curiosos, nalguns casos representando um registo científico ainda hoje indispensável a novas abordagens, noutros, simples "anedotário", ainda que não desprezível pelas informações que poderão conter. Estava fora de causa, na maior parte dos casos, ainda que inconscientemente, o reconhecimento dum passado cultural específico dos povos angolanos, tanto mais que os mesmos -e aí pesava a ideologia des­tilada pelos meios culturais dominantes- estariam ainda na "pré-história". Acompanhando o desenvolvimento global da economia angolana, a partir de 1960, consequência imediata da abertura relativa imposta pela guerra co­lonial, assiste-se também à criação de estruturas que de algum modo con­tribuem para o relançar da investigação arqueológica. Refira-se, numa primeira fase, a acção da Junta de Investigações do Ultramar, na qual se inscreve a intensa actividade de Camarate França, e posteriormente, a partir de 70, o papel da Universidade de Luanda, onde Santos Júnior re­toma os estudos sobre a arte rupestre, secundado por Carlos Ervedosa (autor de recente e importante síntese "Arqueologia Angolana", publica­da em 1980 pelo Ministério da Educação da R.P.A.). A criação do Curso de História na Faculdade de Letras da ex-Sá da Bandeira (Lubango), já nos derradeiros anos coloniais, proporcionando a passagem por Angola de jovens professores de arqueologia, recém-formados em Lisboa e despertos para as novas correntes científicas, fechariam este ciclo, con­tribuindo não só para o arranque de alguns projectos e trabalhos no Sudoeste de Angola – sem grandes consequências dadas as alterações po­líticas que se aproximavam- mas também para a formação duma "escola" de novos arqueólogos. Dadas, no entanto, as circunstâncias dramáticas que acompanharam o doloroso processo da descolonização, agravadas por uma guerra civil prolongada, vir-se-ia a verificar uma ruptura difi­cilmente evitável, contra a qual se procura hoje dar os primeiros passos.
Efectivamente, viriam a ser ex-alunos angolanos de Sá da Bandeira, especialmente Pais Pinto, que passadas as maiores dificuldades da guerra, tomariam em ombros a pesada tarefa de recuperação neste do­mínio. Tratava-se, em primeiro lugar, de concentrar -para evitar maiores perdas ou destruições- materiais arqueológicos e documentação diversa que se encontrava dispersa, um pouco por todo o país. Assim seria cria­do em Benguela, no edifício da antiga alfândega, o Museu Nacional de Arqueologia, orientado por objectivos políticos e pedagógicos, directamente resultantes das transformações revolucionárias: descobrir e tes­temunhar a existência e importância dos vestígios das culturas pré-coloniais do território angolano; opor ao peso cultural da "civilização ocidental", materializada na "história oficial" do colonialismo, a "outra história", desconhecida, mas cuja presença se adivinha nos povoados for­tificados, nos túmulos megalíticos, nos abrigos de arte rupestre ou na presença do "ferro" em épocas muito recuadas. Cumprir tal programa, no entanto, exige meios. As antigas estruturas desapareceram ou foram transferidas para Portugal (levando por vezes as próprias colecções arqueoló­gicas); o pessoal especializado é reduzido. Daí a necessidade, perfeita­mente assumida pelos angolanos, do reatar de laços, da procura entre nós daquilo de útil e positivo que lhes possa ser oferecido. Daí o convite insistente, desde 1980, para que arqueólogos portugueses se deslocassem a Angola. Dificuldades de toda a ordem, a que não serão estranhos os problemas por que passaram nos últimos anos as relações entre os dois paí­ses, contribuiram, porém, para que tal projecto, apenas se viesse a con­cretizar em Maio passado.

A visita, necessariamente exploratória -nenhum de nós traba­lhara antes em África- envolveria três aspectos distintos: o contacto com pessoas e instituições, o reconhecimento de alguns sítios arqueológicos e, finalmente, o apoio técnico ao arranque duma escavação (primeiro passo dum programa de formação de técnicos auxiliares que poderá ainda no cor­rente ano ter continuidade com a vinda a Portugal de alguns estagiários). Em Luanda houve oportunidade de conhecer o Museu de História Natural e o Museu Nacional de Antropologia. Se o primeiro representa a conservação, se bem que com carências, dum museu da época colonial, o segundo -mais, um museu de etnografia- é já um produto duma nova mentalidade. Ricas colecções, algumas provenientes de aquisições ou recolhas recentes, apre­sentadas com um didatismo exemplar, procuram salientar, sem complexos, a importância das culturas africanas. Por outro lado, não se ignoram as raízes dessas mesmas culturas e ligado a este Museu, um conhecido etnó­logo e escritor angolano, Henrique Abranches, procura através de escavações (cuja metodologia faria inveja a muitos "arqueólogos") nos concheiros da região de Luanda, resposta para questões tão importantes, como a da introdução da metalurgia naquela região.
Seria, no entanto, em Benguela que a equipa portuguesa iria estabelecer os contactos mutuamente mais enriquecedores. O natural iso­lamento científico dos dois arqueólogos que trabalham no museu, explica a ansiedade com que éramos aguardados. Para eles a nossa chegada repre­sentava o reatar de laços com "colegas da mesma escola" (impressiona efectivamente a verdadeira comunhão cultural que sentimos, apesar das distâncias geográficas); era a possibilidade de poder discutir "in loco" os problemas da investigação, da organização e estudo dos materiais, das perspectivas da cooperação futura. Para nós; era sobretudo a descoberta duma outra realidade, cheia de carências mas compensada por uma capacidade imaginativa capaz de superar todas as dificuldades. A exposição montada naquele Museu, sobre a evolução da economia e das técnicas, dum didactismo cuidado e mesmo de concepção arrojada, é um verdadeiro exemplo de capacidade de improvisação, face aos reduzidos meios técnicos disponíveis. (Fabricar uma coluna de fo­tografia a partir dum "macaco" de Volkswagen, é apenas um dos muitos exemplos que se podem referir). Por outro lado, se os contactos com o pessoal auxiliar foram mais difíceis, o seu entusiasmo pelo trabalho arqueológico - só quem já fez arqueologia o pode compreender - compensa as naturais limitações da sua pouca formação escolar. E a sua vontade de aprender, quer no trabalho de campo quer de gabinete, representou para nós importante incentivo.

E o futuro? Se bem que este primeiro passo tenha tido um sig­nificado importante, só a continuidade das acções poderá vir a dar frutos concretos. Os arqueólogos angolanos têm mantido alguns contactos com ou­tros países mas,- e isso ficou bem evidenciado, não só em palavras, mas sobretudo na forma como fomos recebidos - há um interesse especial na co­operação portuguesa. Não só pela facilidade linguística, mas por toda um conjunto de circunstancialismos que passam por séculos de convivência que não se apagam dum momento para o outro. Há no entanto que ser realista e, para lá dos problemas eco­nómicos, as próprias condições das nossas estruturas de investigação ar­queológica não são de molde a facilitar o lançamento de programas de co­operação ambiciosos. Apesar de tudo, parece-nos haver domínios em que é possível actuar a curto prazo, quer na formação de pessoal, quer através da troca permanente de informações, quer ainda pela organização de mis­sões arqueológicas conjuntas. Para já, existe em Portugal um organismo com especial vocação para a cooperação, o Instituto de Investigação Científica Tropical (her­deiro da Junta de Investigação do Ultramar) mas, tendo em conta quer os poucos meios de que dispõe, quer sobretudo a necessidade de alargar e in­formar de espírito novo essa cooperação, há que estender essa acção às Universidades, aos museus portugueses e instituições de defesa do Patrimó­nio. O que está em jogo não são meras conveniências políticas ou económi­cas de ocasião, mas uma obrigação histórica que pesa sobre a nossa gera­ção. A amizade também se forma no conhecimento e compreensão das diferen­ças. Disso ficou-nos a certeza e sobretudo a responsabilidade.

Lisboa, 14 de Julho de 1983

A chegada ao Museu Nacional de Arqueologia, Benguela (antiga Alfandega portuguesa)

Concheiro da Idade do Ferro, na Baía Farta- fase da escavação, feita a partir de um corte natural já existente. Sentado, Luis Pais Pinto

A mesma escavação. Em primeiro plano, Ana Paula Tavares, actualmente um nome consagrado da literatura angolana.

Missão arqueológica de 1983: um momento de descontração. Reconhecem-se Luis Pais Pinto, Ana Paula Tavares e à direita, o antropólogo Jorge Sande Lemos 

Escavação da Baía Farta_ missão de 1983

Escavação da Baía Farta_ missão de 1983


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