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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Um documento para a História da Arqueologia Portuguesa no final do Século XX

O título é obviamente desproporcionado, mas tal como já aconteceu noutras entradas para este "blog" memorialista, aproveito para aqui registar um documento que redigi vai para três décadas (não tem data, mas foi escrito entre o final de 86 e o início de 87) e que, pomposamente se intitulava "Proposta de reorganização dos serviços de Arqueologia". Na altura era ainda Director do Departamento de Arqueologia do IPPC, um Instituto que então atravessado por uma intensa dinâmica reformista (ou melhor "reformuladora") com sucessivos anúncios de mudanças e alterações que se concretizariam pouco tempo depois. Logo em 1988 seria criado o Instituto Português de Arquivos e em 1991 o Instituto Português dos Museus. Era então minha principal preocupação, tanto quanto possível, salvaguardar alguma "autonomia operacional" da Arqueologia dentro do IPPC que lhe era conferida pela existência de estruturas descentralizadas -os três Serviços Regionais de Arqueologia- desde a fundação do Instituto em 1980. Assim, este documento, antecipando a possibilidade de diluição orgânica dessas estruturas no âmbito da anunciada regionalização do próprio IPPC, após o diagnóstico das dificuldades e problemas da disciplina, enunciava como grandes objectivos o reforço daquelas estruturas regionais (propondo a criação de mais uma para Lisboa e Vale do Tejo), e a reestruturação da Secção de Arqueologia do Conselho Consultivo, promovendo o funcionamento de secções regionais, previstas na lei mas com uma orgânica impraticável. 

Este documento, apesar de discutido a alguns níveis, acabaria por não ter qualquer consequência prática visível e a evolução da situação da arqueologia portuguesa nos primeiros anos da década de 90, acabaria por demonstrar que os receios que o motivavam eram fundados. Logo em 1990 os Serviços Regionais de Arqueologia seriam extintos numa fase de reestruturação do IPPC, sendo o respectivo pessoal integrado em Direcções Regionais do próprio Instituto, Numa primeira fase ainda houve lugar a alguma autonomização da arqueologia regional, já que aquelas estruturas previam uma "Divisão de Arqueologia". Mas logo em 1992, já com Santana Lopes na SEC, com a extinção do IPPC e a criação do IPPAR e das respectivas direcções regionais, essas estruturas arqueológicas deixaram de existir. Consumara-se entretanto a autonomização dos Arquivos e dos Museus, e a Arqueologia ficaria completamente sujeita à lógica do Património Arquitectónico, até ao estoiro do Côa em 1995, que culminou com o reconhecimento da especificidade da área e a necessidade de criação em 1997, do infelizmente efémero Instituto Português de Arqueologia .

É nesse contexto geral que o documento que aqui fica registado terá de ser entendido. Como complemento do mesmo, tomo a iniciativa de também divulgar dois comentários escritos que a este propósito então me foram enviados (Fevereiro e Março de 1987) por dois arqueólogos que muito já considerava e que ainda hoje muito estimo (Professores Jorge Alarcão e Vitor Oliveira Jorge) e a quem não solicitei autorização para o fazer. Passados 30 anos, são já documentos históricos e espero que os seus autores compreendam a bondade das minhas intenções.



























sexta-feira, 13 de março de 2015


Arqueologia portuguesa_memórias gráficas dos anos 80

Já anteriormente aqui recordámos um conjunto de folhetos ou brochuras editados nos anos 80 pelo Serviço Regional de Arqueologia do Norte. Hoje reencontrei este desdobrável, num formato pouco usual (20,5cm x 20,5 cm) editado em larga escala (10 000 exemplares) pelo Departamento de Arqueologia em meados dos anos 80 e destinado à sensibilização do público para a importância social da arqueologia e para a necessidade do envolvimento de toda a comunidade na salvaguarda dos vestígios do passado. Recordo que a inspiração partiu de um folheto semelhante editado então em França. O texto não está assinado mas regista-se que o design gráfico se ficou a dever a António Ventura, um professor do ensino secundário formado no IADE, que conseguíramos requisitar para o Departamento e para o Museu Nacional de Arqueologia, graças às suas competências em matéria fotográfica. António Ventura foi o responsável pela montagem do Estúdio e do laboratório fotográfico do MNA antes de se mudar definitivamente para o Instituto Politécnico de Tomar, julgo que ainda nos anos 80, onde hoje dirige o Curso Superior de Fotografia.