quinta-feira, 8 de janeiro de 2015



“A mais bela máquina de viajar no tempo”



O Carlos Fabião, interessado e grande divulgador de tudo o que diga respeito à história recente e menos recente da arqueologia portuguesa, reencaminhou-me o PDF de um interessante artigo sobre a Anta Grande do Zambujeiro e o Cromeleque dos Almendres, da autoria de “Mário Henriques”, publicado em 13 de Outubro de 1967 no Diário Popular, ou seja durante as escavações de Henrique Leonor de Pina no Zambujeiro e pouco tempo depois do reconhecimento arqueológico do Cromeleque, graças a informação do sr. António Rebocho, então guarda da Herdade da Mitra, (hoje polo da Universidade de Évora). Já conhecia o artigo em questão, graças a um pacote de recortes de jornais que no final dos anos 80, ainda como Director do Serviço Regional de Arqueologia do Sul, recebi da parte do Dr. Quintino Lopes, antigo administrador do Hospital de Évora e dinamizador de um grupo amador de arqueologia, conhecido como “Admiradores do Alentejo”. Mas foi com imenso prazer que reli o interessantíssimo texto de Mário Ventura Henriques, à época jornalista do Diário Popular. Julgo aliás que este texto e outros dentro da mesma linha de redescoberta de um Alentejo profundo e esquecido, constarão da colectânea “Alentejo Desencantado”, publicada em 1969 e mais tarde reeditada pelo Círculo de Leitores. Não resisto a transcrever o final do artigo em questão:


Henrique Pina diz: “O impacto é a nossa acção individual” Mas a verdade é que o esforço individual quase sempre destrói o indivíduo. A anta ou o cromelech constituem o resultado de um esforço altamente colectivizado, de uma consciência profundamente enraizada na massa. À obra de gigantes que o homem pré-histórico ergueu no Alentejo, o homem da nossa época responde com um trabalho de pigmeu. Ao grande exemplo de unidade que representa o monumento megalítico opõe-se hoje o esforço idealista do amador. Eis a contradição- resta encontrar a síntese.

Para os interessados aqui fica o texto de Mário ventura Henriques (quase...) completo.



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Ainda a Gruta do Escoural, 
a propósito de recente artigo da National Geographic



A edição de Janeiro de 2015 da prestigiada NATIONAL GEOGRAPHIC, disponibiliza um interessante artigo de divulgação sobre a Arte Rupestre Paleolítica, altamente valorizado pela sua componente fotográfica como é tradicional nesta centenária revista. A edição portuguesa (ao contrário da americana) trás mesmo este tema para a sua capa, ilustrada com uma magnífica foto dos célebres bisontes de Altamira, a gruta cantábrica que no final do Século XIX, após violentas polémicas, acabou por ser determinante para a aceitação da existência da própria “Arte Paleolítica”. O artigo vem documentado com um mapa da Europa, onde se localizam alguns dos exemplos mais conhecidos de sítios rupestres paleolíticos. Não tive acesso ao artigo original mas é possível e aceitável que na sua tradução e adaptação à edição nacional, se tenham acrescentado algumas referências ao território português, tanto no texto como no referido mapa, onde de facto aparecem localizados o Vale do Côa e a Gruta do Escoural.

National Geographic, Janeiro 2015 (ed. portuguesa)

 Este mapa trouxe-me à memória o meu primeiro manual de arte rupestre, adquirido no ano em que ingressei na Faculdade de Letras (1970), na então nova Livraria Ler (Campo d’Ourique, das poucas que ainda vão resistindo em Lisboa). Tratava-se do livro “L’Art Paleolithique”, de Peter J.Ucko e Andrée Rosenfeld, na edição francesa da Hachete, publicado simultaneamente  em Inglaterra e França, no final do ano de 1966. 



O que ainda hoje me parece extraordinário é que, nesta obra se fazia já referência à Gruta do Escoural que havia sido descoberta em 1963, mas cuja componente rupestre só se confirmara em 1965. Para compreender esta circunstância, que colocava então esta Gruta portuguesa em destaque, é preciso recordar que após a resolução da questão da autenticidade e do estabelecimento dos primeiros quadros cronológicos, os arqueólogos se começavam a interessar-se pelo reconhecimento da distribuição geográfica da Arte Paleolítica. No início dos anos 60, ainda dominava uma visão confinada à Europa Ocidental  (França e Espanha) e centrada em 3 núcleos principais: Périgord, Pirinéus e Montes Cantábricos. É certo que já então se conheciam excepções, mas eram assumidas como tal ou, nalguns casos, era mesmo posta em dúvida a sua cronologia paleolítica. É neste contexto que a descoberta do Escoural terá ganho especial importância. 



O mapa publicado em 1966 na obra de P.Ucko e A. Rosenfeld. A Gruta do Escoural, a mais Ocidental da Europa com arte rupestre paleolítica, aparece referenciada com o nº1.


Como se sabe, Farinha dos Santos, apesar de ter observado as primeiras pinturas no Outono de 1963, alguns meses após a descoberta da Gruta, hesitou algum tempo quanto à sua natureza e cronologia. No entanto, com o apoio de Manuel Heleno,o todo poderoso director do Museu Etnológico de Belém (hoje Museu Nacional de Arqueologia), publicou na respectiva revista um primeiro artigo sobre a arte rupestre do Escoural em meados de 1964, defendendo a sua origem paleolítica. Por várias razões, as conclusões não foram bem acolhidas entre os arqueólogos portugueses e, na dúvida, foi decidido solicitar apoio estrangeiro. Graças à intermediação do industrial de origem francesa, Maxime Vaultier, verdadeiro mecenas da arqueologia da época, e ao apoio da Gulbenkian, foi possível trazer a Portugal em Janeiro de 1965, o padre André Glory, um discípulo do Padre Breuil, que se encontrava então a estudar a Gruta de Lascaux e um dos maiores especialistas de arte rupestre na sua época. Glory esteve dois dias em trabalho no Escoural e, na mesma viagem, viria a realizar várias conferências em Lisboa, sobre arte rupestre e pré-história, nomeadamente na Associação dos Arqueólogos Portugueses, na Sociedade de Geografia, no Liceu Charles Lepierre, na Faculdade de Letras e até na Fundação Gulbenkian, onde após o reconhecimento que fizera no Escoural, dissertou mesmo sobre “Lascaux e o Escoural”.  

Glory na Gruta do Escoural, em Janeiro de 1965

Com base nos dados que recolheu, poucos meses depois, Glory apresentaria uma comunicação sobre a Gruta do Escoural na prestigiada Société Préhistorique Française, que seria publicada no respectivo Boletim em Janeiro de 1966. A tempo, certamente, de Peter Ucko e A. Rosenfeld, incluírem na sua obra editada no final desse mesmo ano, este novo achado, que pela sua localização geográfica, vinha pôr em causa essa visão demasiado regionalista da Arte Paleolítica e que hoje está de facto completamente ultrapassada. Uma última nota. Andrée Glory comprometera-se a colaborar com Farinha dos Santos no estudo da Gruta do Escoural, a que deveria regressar no Outono de 1966, mas desgraçadamente tal nunca viria a acontecer porque viria a falecer num trágico acidente de automóvel em Julho desse mesmo ano.
Gruta do Escoural- Foto de motivo animalista pintado, publicada em 1966 na obra de P.Ucko e A. Rosenfeld

O mesmo motivo publicado no artigo de 1966 do Boletim da SPF, em que Glory regista também traços gravados e que interpreta como caprídeo.
O mesmo motivo em foto recente.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A desconhecida CRIPTA ARQUEOLÓGICA do Castelo de Alcácer do Sal


Entre 1993 e 1998, sob a coordenação geral do arqueólogo António Cavaleiro Paixão, falecido neste ano de 2014, foram realizadas extensas escavações arqueológicas no Castelo de Alcácer do Sal, mais propriamente sob as ruínas do Convento de Araceli, no quadro de importantes obras de adequação/construção de uma Pousada da ENATUR (a tal empresa que o Governo estuda a possibilidade de vender...). Concluídas as escavações e inaugurada a Pousada, seguiu-se um período de vários anos de estudo, de projecto e de obra  que viriam a ter um final feliz em 2007, com a instalação de uma interessantíssima Cripta Arqueológica, sob a própria Pousada, e que nos permite uma viagem ao passado de quase 3 Milénios de História. O local, gerido pela autarquia através de Protocolo com  a DRCALEN, é infelizmente pouco conhecido mas justifica plenamente uma subida ao Castelo de Alcácer, com a aliciante da extraordinária vista sobre o Vale do Sado e a própria cidade de Alcácer. Voltaremos certamente a este tema, até porque acompanhei de perto as escavações dos anos 90, a que estiveram ligados dois grandes amigos, infelizmente já falecidos. O Cavaleiro Paixão, coordenador e o ainda jovem João Carlos Faria, o eficaz operacional de terreno.







segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Gruta do Escoural_ um novo contributo para a sua divulgação



Descoberta em 1963, a Gruta do Escoural manteve durante cerca de 2 décadas o exclusivo absoluto da representatividade da arte rupestre paleolítica no território português. No início dos anos 80, a descoberta dos cavalos magdalenenses do Mazouco, nas margens do Douro, representou o primeiro abalo nessa exclusividade, confirmado em 1994 com as fantásticas descobertas no Vale do Côa. Graças sobretudo a este último caso, houve que alterar muitos dos conceitos vigentes sobre a "arte paleolítica": esta era menos rara do que se supunha, não era apenas uma "arte da escuridão" e afinal, a sua expansão territorial acompanhara a expansão universal do Homem moderno, muito para além do núcleo franco-cantábrico onde pela primeira vez fora reconhecida no final do Século XIX (ainda que depois de acesso debate e muita polémica). Nada disto, é claro, retirou interesse e importância à pequena cavidade localizada nos arredores da pequena vila de Santiago do Escoural, entre Montemor e Évora. Queixam-se, no entanto, os potenciais interessados das dificuldades em visitar este local, afinal localizado numa região que atrai já um crescente número de turistas motivados não só pela paisagem alentejana, ou pelo património urbano de Évora, mas também pela reconhecida riqueza megalítica deste território. De facto, a visita ás grutas rupestres é sempre muito condicionada pelos factores conservacionistas, agravados neste caso pelas modestas dimensões da cavidade que impedem o acesso a grupos numerosos. Por outro lado, e como é sabido, as instituições públicas (a Gruta, felizmente, para além de Monumento Nacional, é propriedade do Estado, afecta à DRCALEN) apesar dos investimentos realizados nos últimos anos na valorização de sítios e monumentos públicos, têm cada vez mais dificuldades em resolver problemas que dependam essencialmente da contratação de pessoal. E, este é um daqueles casos cuja visita, por razões de informação, conservação e segurança ,depende em absoluto do acompanhamento de um guia.

De qualquer modo, ainda que com algumas limitações e desde que programando a visita com um mínimo de antecedência, é possível, individualmente ou em pequenos grupos, visitar a Gruta do Escoural, de 3ª a Sábado. Para isso deverá contactar-se telefonicamente o respectivo Centro de Interpretação, localizado na própria vila, de acordo com todas as indicações que pode encontrar na página da DRCALEN:

http://www.cultura-alentejo.pt/patrimonio_construido,8,lista.aspx

(Nota importante: por vezes, não é fácil conseguir logo o atendimento telefónico, pois há apenas uma guia/recepcionista que se encarrega da gestão do Centro Interpretativo e que acompanha também os visitantes à Gruta. Mas pode deixar mensagem ou insistir um pouco mais tarde...)

Caso não pense para já visitar este local, sempre poderá ter uma ideia do significado arqueológico deste local, graças ao VIDEO recentemente produzido pela equipa do MORBASE, projecto de divulgação digital do património de Montemor-o-Novo, acolhido pelo respectivo município e no qual tive oportunidade de colaborar.

Video da MORBASE sobre a Gruta do Escoural

domingo, 21 de dezembro de 2014

ROTEIRO (CULTURAL) DO NATAL

A quadra natalícia acaba por proporcionar um cruzamento raro e feliz entre património material, património imaterial e vivência cultural. De facto é a época do ano em que os coros e outras agremiações musicais mais actuam, essas actuações privilegiam normalmente espaços patrimoniais antigos, em particular as igrejas, embora ocorram também em espaços urbanos. Os programas musicais dão muitas vezes primazia aos cânticos de tradição local ou regional, valorizando o património imaterial e, finalmente, há um especial envolvimento de toda a comunidade, desde os que promovem os eventos, apoiando-os quase sempre gastronomicamente, aos que ensaiam durante largos meses para estes concertos, acabando nos que assistem, normalmente mais numerosos do que noutras épocas do ano, muitas vezes utilizando ou acorrendo a espaços construídos que noutras circunstâncias não visitariam. Em suma,o Natal não é apenas religião ou, no outro extremo, consumismo desenfreado, é também cultura, tradição, enfim património com letra grande. Aqui deixo, pois o roteiro do meu Natal 2014, começando por (ab)usar de uma foto do meu amigo Joaquim Carrapato, também em homenagem ao Cante acabadinho de ser inscrito na lista do Património da Humanidade.


 A grande Igreja de Santo Antão, talvez pela sua localização privilegiada no topo da Praça do Giraldo, é o espaço que normalmente atrai mais público aos eventos de Natal eborense (que acontecem noutros locais, como a Sé, a Igreja dos Remédios, a da Misericórdia, etc...). Este ano, mais uma vez, os Cantares de Évora aí fizeram o tradicional Canto ao Menino. Aí também acontece todos os anos o grande Concerto de Natal do Coral Évora. Mas a concorrência exterior, também se fez notar. O Coral de São Domingos de Montemor-o-Novo, no seu Canto ao Menino, versão de Évora, não esqueceu a escadaria deste importante monumento henriquino eborense.

Coral de São Domingos, Canto ao Menino à porta de Santo Antão

O Coral de São Domingos, cantando no portal gótico da Sé de Évora




O concerto de Natal do Eborae Musica, inserido no ciclo de Música no Inverno e que acontece na bonita Igreja dos Remédios, tem também já forte tradição na cidade, apesar do seu carácter um pouco mais erudito. Este ano, a par de várias peças da tradição litúrgica natalícia da Escola de Música da Sé de Évora, o coral apresentou também uma selecção de cânticos natalícios de diversos países europeus . Para além de Portugal,Espanha, Itália, Inglaterra, França, Ucrânia.

Felizmente, o roteiro do Natal não é apenas urbano. Algumas juntas de freguesia, ou as paróquias rurais, para além de eventos locais (normalmente mais por ocasião das Janeiras) também se preocupam em organizar eventos relacionados com a quadra natalícia. Há muitos anos que o Coral Évora é convidado para actuar na Igreja de São Pedro da Gafanhoeira, uma pequena aldeia do concelho de Arraiolos, sempre com casa cheia, apesar do frio. A igreja, recentemente classificada, é um templo com uma monumentalidade pouco habitual em meio rural, de uma só nave coberta por abóbada de canhão. Apesar do ar rústico-popular, não foge da tradição arquitectónica típica do Século XVI alentejano.




Um outro espaço de grande valor cultural (a Igreja Matriz do Vimieiro, Arraiolos) que acolheu um participadissimo concerto de Natal. Após uma primeira parte com grupos locais, desde as crianças à terceira idade, o EboraeMusica, com claro deleite dos participantes, apresentou uma versão mais curta do concerto de Natal de 2014. A festa terminou com uma ceia na sacristia, onde não faltaram os fritos tradicionais da época.



Mas nem sempre, as coisas correm pelo melhor. Fosse pelo frio excepcional da noite, fosse pela falta de divulgação, um concerto do Coral Évora realizado na Igreja da Misricórdia das Alcáçovas, templo que me impressionou pela belíssima decoração esgrafitada da sua abóbada, não tinha praticamente assistência. Tradicionalmente este concerto das Alcáçovas costuma acontecer na belíssima igreja matriz, actualmente em obras de recuperação, financiadas pelo QREN e que contaram com o apoio técnico da DRCALEN. Esta mudança também pode ajudar a falta de assistência.


Para acabar este roteiro de Natal (ainda sem janeiras), o Cante ao Menino, pelas ruas de Montemor (aqui junto à ermida gótica de São Sebastião) que acabaria na pequena mas interessantíssima Igreja da Misericórdia, local de ensaio habitual do grupo.
O Grupo coral de São Domingos e acompanhantes nas ruas de Montemor-o-Novo, com o Castelo iluminado em fundo.



Se o Natal é "barrôco", que melhor cenário para os cânticos tradicionais natalícios?. No caso a Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Novo que apesar do belíssimo portal Manuelino, a denunciar uma origem mais antiga, nos revela um interior de estrutura clássica e de decoração profusamente barrôca,






sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Igreja do Salvador, Évora


Do antigo Convento do Salvador (Século XVII), subsistiram apenas, após as grandes demolições da 1ª metade do século XX, uma torre monumental (resquício da Cerca Velha da cidade), a Igreja e alguns anexos, incluindo parte do antigo claustro. Poucos eborenses, saberão hoje que o edifício dos Correios, projecto com todas as características (boas e más) da arquitectura do Estado Novo, ocupa pois o espaço de um dos (poucos) conventos demolidos da cidade. E já começa também a desvanecer-se a memória do uso dado à Torre do Salvador durante as últimas décadas do Século passado: sede regional dos extintos Monumentos Nacionais.





Quanto à Igreja, desafecta ao culto e fechada durante muitos anos, ainda paira a triste lembrança, sobretudo nas gerações com mais de quarenta anos, do seu uso como "casa funerária", função entretanto transferida para a vizinha Igreja de Santiago (do outro lado da Praça do Sertório). No que resta do antigo Convento, perdura no entanto, alguma sobreposição de responsabilidades no que respeita ao respectivo estatuto. A Igreja propriamente dita, porque afecta ao culto mesmo após a extinção do Convento, continuou na posse da Arquidiocese. Já a Torre sobrante das demolições do Convento, entretanto expropriado após a extinção daquele, é propriedade pública. Recentemente, no âmbito de oportuno Protocolo, aquelas posições sofreram uma curiosa mas feliz inversão. A Arquidiocese, na falta de espaço para o efeito, preparava-se para instalar na Nave da própria Igreja, estruturas de arquivo destinadas a receberem documentação paroquial actualmente em risco de perda, dada a sua dispersão pelo vasto território diocesano. A Direcção Regional de Cultura, herdeira das competências e dos funcionários (que restavam) dos Monumentos Nacionais, não tinha função para a Torre. A oportunidade das circunstâncias, aliada ao bom senso de ambas as partes, acabaram por determinar a solução lógica: os Arquivos passaram para as instalações devolutas, deixando a magnífica Igreja disponível para a visita pública.

A recuperação de um espaço confinante com a magnífica Praça do Serório que já havia sido "loja dos monumentos", passou a ser a "loja do património" e a servir de recepção e acesso público para um espaço monumental de grande qualidade que, naturalmente, atrai cada vez mais visitantes. Com a aliciante desse espaço, pela sua natureza e localização, se proporcionar para frequentes e diversos eventos que enriquecem a vida cultural da cidade.

Daí o convite para a visita à pequena mas interessantíssima exposição recentemente inaugurada e cujo tema não podia ser mais apropriado: "PRESÉPIOS DOS CONVENTOS DO ALENTEJO".