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segunda-feira, 4 de julho de 2016


O novo Presidente do ICOM Europa

O Luis Raposo, o primeiro à esquerda, com João Ludgero, António Martinho Baptista e António Carlos Silva, provavelmente fotografados por Francisco Sande Lemos, junto à Lapa do Fumo, Sesimbra (1971?)

A notícia está um pouco por todos os meios de comunicação social. O Luis Raposo foi ontem eleito em Milão, Presidente do Conselho Internacional do ICOM Europa, assunto que é mais que pretexto para mais uma "entrada", por coincidência a 200ª, neste blog memorialista. Naturalmente, não é a primeira vez (nem provavelmente será a última) que o meu colega, companheiro e amigo de longa data aparece referido neste espaço cibernético, que vou alimentando com a regularidade possível, uma vez que tantos e tão diversos projectos nos uniram desde que nos conhecemos vai quase para quatro décadas e meia, no GEPP (Grupo para o Estudo do Paleolítico Português). Eu, ligeiramente mais velho, estava já na Faculdade e hesitava ainda relativamente ao que fazer no futuro. A arqueologia surgira ao acaso no meu caminho por influência de colegas de curso como o Francisco Sande Lemos ou o Jorge Pinho Monteiro. Mas o Luis, ainda a terminar o Liceu, aparecia no nosso meio com a experiência da "escola" do Centro Piloto de Arqueologia e revelava-se já como um dos mais determinados relativamente ao futuro: Arqueologia e dentro desta a Pré-história, quanto mais Antiga melhor... E de facto, como já referi algures, apesar das "nossas" prioridades no Ródão no início dos anos 70, passarem antes de mais pela "arte rupestre" que iria ser afundada pela Barragem do Fratel, o Luís não perdia oportunidade de encher o seu bornal, com calhaus paleolíticos, oportunos achados que garantiram a continuidade dos projectos arqueológicos do GEPP nos "terraços quaternários do Ródão", para além da Barragem do Fratel e da Arte Rupestre, projectos a que ele ainda hoje está ligado.

 Sobre os vários cruzamentos dos nossos percursos pessoais e profissionais, frequentemente paralelos, falam os vários "posts" que aqui tenho deixado ao longo de quase dois anos de memórias arqueológicas e dos quais selecionei os que a seguir deixo em Link.

Por ora, com um grande abraço e votos de felicidades ao Luis Raposo neste novo desafio,deixo algumas memórias fotográficas.

Em Vila Velha de Ródão (1971?) à esquerda com A.C.Silva, Teresa Marques, A. Martinho Baptista, João Ludgero e Francisco Henriques

Chegada para mais uma campanha em Vilas Ruivas (1977?). da esquerda para a direita, José Mateus, Luis Raposo, Francisco Sande Lemos, Isabel Costeira, A.C.Silva e José Américo Ferreira

Luis Raposo e Joaquim Baptista, dando os últimos retoques no "molde" do solo de habitat paleolítico de Vilas Ruivas (1980)
Exposição (actualmente desmontada) no Museu de Castelo Branco, sobre o solo paleolítico de Vilas Ruivas, um dos primeiros dos muitos projectos museológicos concretizado sob a liderança de Luis Raposo (neste caso em conjunto com os colegas do GEPP- 1981)


Luis Raposo, com A.C.Silva e Hans Siefner, já falecido, na visita aos sítios paleolíticos de Les Ézies (1983)

Missão arqueológica portuguesa em Angola: Luis Raposo, Maria João Coutinho, A.C.Silva e Hans Siefner (Benguela, 1983)

Luis Raposo com o Presidente da República Ramalho Eanes inauguração de uma exposição de arqueologia em Vila Velha de Ródão (meados dos anos 80).

Na Fundação Calouste Gulbenkian, com o Prof. Baptista Martins (já falecido), antigo Presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, na inauguração da exposição Arqueologia do Vale do Tejo (Outubro de 1987) organizada pelo Departamento de Arqueologia don IPPC por mim dirigido.

Uma faceta menos conhecida do Luis, que tem o costume, cada vez mais raro, de levar o combate pelas causas em que acredita até às últimas consequencias. No caso falando numa manifestação de arqueólogos (Março de 2009) contra o desmantelamento, na altura ainda sem alternativas, de várias estruturas técnicas arqueológicas (exIPA) para dar lugar ao novo Museu dos Coches.

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2016/04/a-linguagem-das-coisas-o-convite-para-o.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2016/05/a-arqueologia-do-vale-do-tejo-na-tsf.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/12/foz-do-enxarrique-e-cobrinhos-nas.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/06/ainda-os-coches-e-arqueologia-como-era.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/04/1983-missao-arqueologica-em-angola-na.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/03/rene-desbrosses-1930-2015-tal-como-as.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/01/viagem-ao-berco-da-pre-historia.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/02/arqueologia-no-vale-do-tejo-numa-altura.html

quinta-feira, 28 de abril de 2016




A Linguagem das Coisas


O convite para o próximo lançamento de um livro da minha nora Joana, a ter lugar no próximo sábado numa loja da FNAC "A mãe é que sabe", livro que reúne os melhores "posts" do blog que mantem com uma amiga desde o nascimento da minha neta Isabel, lembrou-me que, passam precisamente este ano duas décadas (!) sobre a apresentação de um livro meu, em parceria com o Luis Raposo, afinal com uma génese parecida... Claro que não havia "blogs" (a Internet entre nós estava a dar os primeiros passos) mas os jornais tinham ainda especial importância e as crónicas de ARQUEOLOGIA que ambos escrevíamos semanalmente para o Suplemento Cultural do Diário de Notícias (suponho que editado à quinta-feira) entre 1993 e 1995, chamara a atenção da Europa América, ainda dirigida por Francisco Lyon de Castro que então conheci pessoalmente, tendo-nos sido proposta a edição das referidas crónicas em livro, a que chamámos a "A linguagem das coisas". Não eram comuns e ainda hoje são raras, as edições de cariz comercial sobre arqueologia portuguesa, e por isso o evento de lançamento, realizado no Museu Nacional de Arqueologia no dia 15 de Outubro de 1996, e em cuja organização houve um especial empenho da editora, acabou por ter alguma relevancia social. A apresentação ficou a cargo de Jorge Alarcão, um dos poucos arqueólogos portugueses com uma obra consistente em circuito comercial (desde o seu Portugal Romano editado pela Verbo no início dos anos 70 até às sucessivas edições de O domínio romano em Portugal, da própria Europa-América) e dignou-se assistir,como soía dizer-se, o próprio Ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho. À época já não éramos propriamente dois novatos na arqueologia. O Luis iniciava por essa altura o seu longo e profícuo período de direção do próprio MNA (1996-2012) e eu, após uma curta passagem pela comissão instaladora do IPA, estava então a lançar o projecto arqueológico do Alqueva (1996-2002).  Mas esse fim de tarde no "nosso Museu dos Jerónimos", contando com a presença de tantos colegas e amigos, acabou por ficar indelevelmente marcado nas nossas memórias. Percebo pois, o nervoso da Joana, esperando que tudo corra pelo melhor no próximo sábado.




Publicidade na revista da própria Europa-América, bem acompanahda pelas obras de Jorge Alarcão e Konrad Spindler, um arqueólogo austríaco que escavou em Portugal no final dos anos 60 (Castro do Zambujal) e que se tornou célebre pelos estudos do Homem (neolítico) de Otzi, descoberto congelado nos Alpes.

Publicidade no Expresso

Recensão crítica no Expresso de 4 de Janeiro de 1997, acompanhada pela Mértola Islâmica do meu colega e amigo Santiago Macias, actual Presidente da Câmara da sua Moura natal

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015




Foz do Enxarrique e Cobrinhos

Nas últimas semanas, por razões diferentes mas ambas positivas, o Paleolítico do Ródão voltou a ser notícia. No final de Outubro graças a um link divulgado na ARCHPORT (https://www.academia.edu/17273721/Cobrinhos_A_New_Mousterian_Site_in_Vila_Velha_de_R%C3%B3d%C3%A3o_Portugal_) era dado a conhecer um novo e invulgar sítio Mousteriense (Paleolítico Médio), próximo do sítio da Foz do Enxarrique e descoberto por Francisco Henriques no âmbito dos trabalhos de instalação de uma nova fábrica de papel naquela região. A notícia remetia-nos para um poster apresentado em reunião científica nos Estados Unidos, que aqui reproduzimos e assinado por Telmo Correia, João Caninas, Emanuel Carvalho, Olívia Figueiredo, Francisco Henriques, Daniela Maio, Cátia Mendes, David Nora, Eduardo Paixão, André Pereira e Luis Raposo. Desta vasta equipa destacamos naturalmente o Francisco Henriques, um rodense de gema apaixonado pela arqueologia desde que, praticamente como adolescente começou a acompanhar os estudantes do GEPP que, a partir da velha pensão "Castelo" do Porto do Tejo, se dedicaram num primeiro momento à Arte Rupestre e após a construção da barragem do Fratel, ao estudo do riquíssimo Paleolítico da região. Recordemos que a descoberta do Enxarrique, no decorrer de uma sortida piscatória, já se ficara a dever nos anos 70 ao Francisco Henriques que, pese embora a sua paixão pela Arqueologia e pela Etnologia acabaria por seguir uma carreira profissional no âmbito da enfermagem, de que entretanto se aposentou. Destacamos também o João Caninas, sobrinho (neto?) da dona da referida "Pensão Castelo",  e que, pese embora o curso de engenharia electrotécnica, também se dedicaria de corpo e alma à cultura e ao ambiente (chegou a integrar o gabinete de Teresa Patrício Gouveia quando esta foi Secretária de Estado do Ambiente), sendo um dos mais antigos "empresários" portugueses no domínio das avaliações de impactos, com especial incidência na área patrimonial. Por fim uma especial referencia ao Luis Raposo, meu velho colega das lides do Ródão, desde sempre muito focado nos estudos do Paleolítico da Região, que nunca abandonou mesmo quando a prioridade era o levantamento da Arte Rupestre ameaçada pela Barragem do Fratel. E foi graças a essa teimosia que se descobririam sítios que são hoje referencia internacional, como Vilas Ruivas ou o Monte do Famaco, para já não falar do Enxarrique e, por fim em Cobrinhos. Esta última, sem ter as características do Enxarrique (falta-lhe a "fauna" e aparentemente não se encontra "in situ"), parece ser um sítio muito interessante atendendo á imensa recolha de materiais líticos que proporcionou. Com efeito, a circunstancia de ter sido identificada no contexto de importantes obras, permitiu a congregação de meios e métodos pouco vulgares. Dada a urgência da situação e o facto de se comprovar não estar "in situ",  para além das recolhas sistemáticas de superfície (método que no passado ensaiáramos no Monte do Famaco, na sequencia de lavra mecânica) o terreno foi quadriculado, tendo os sedimentos sido recolhidos à máquina (quadrado a quadrado) e posteriormente crivados para recolha dos materiais líticos trabalhados. O que permite agora uma abordagem estatística com resultados certamente interessantes.

A notícia da Foz do Enxarrique é bastante mais recente. Também graças à ARCHPORT tomámos conhecimento que na semana passada, entre quase centena e meia de candidaturas, o projecto de Museologia e Educação no Sítio Arqueológico da Foz do Enxarrique, havia recebido uma Menção Honrosa na 6ª edição do Prémio Ibero-Americano de Educação e Museus. Trata-se de uma candidatura assumida pela Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão em parceria com o Centro Português de Geo-História e Pré-História, preparada e executada por uma vasta equipa coordenada pelo Luis Raposo mas em que participaram outros antigos estudantes que no Ródão e mais concretamente no Enxarrique tiveram o respectivo tirocínio, como o Silvério Figueiredo, líder ddo referido Centro de Geo-História. Como antigo responsável por escavações no Enxarrique (julgo que, no âmbito da partilha de responsabilidades entre os membros do GEPP que foram ficando pelo Ródão, me coube iniciar as primeiras escavações neste sítio...) não poderia deixar de aqui deixar este registo. Aqui ficam também alguns documentos associados:

Cobrinhos, A New Mousterian Site in Vila Velha de Ródão (Portugal)

1Telmo Pereira, 2João Caninas,2 Emanuel Carvalho, 3Olívia Figueiredo,4 Francisco Henriques,3 Daniela Maio,2 Cátia Mendes,3 David Nora, 1Eduardo Paixão, 2André Pereira, 5Luis Raposo

1- ICArEHB - Interdisciplinary Center for Archaeology and Evolution of Human Behavior, Universidade do Algarve | 2- EMERITA, Empresa Portuguesa de Arqueologia, Uni. Lda. | 3- NAP – Núcleos dos Alunos de Arqueologia e Paleoecologia, Universidade do Algarve | 4- Associação de Estudos do Alto Tejo | 5- Museu Nacional de Arqueologia

https://www.academia.edu/17273721/Cobrinhos_A_New_Mousterian_Site_in_Vila_Velha_de_R%C3%B3d%C3%A3o_Portugal_





 PROJETO DE FOZ DO ENXARRIQUE RECEBE MENÇÃO HONROSA NO VI PRÉMIO IBERO-AMERICANO DE EDUCAÇÃO E MUSEUS




Foz do Enxarrique musealizado...

http://museunacionaldearqueologia-educativo.blogspot.pt/2015/12/foz-do-enxarrique-em-vila-velha-de.html

Referências anteriores nas Pedras Talhas:

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2015/06/glandes-plumbeae-para-os-nao.html

http://pedrastalhas.blogspot.pt/2014/10/o-paleolitico-do-rodao-as-portas-


do.html

Prepearativos para a primeira campanha de escavações na Foz do Enxarrique (1982). Limpeza do terreno e quadriculagem
Enxarrique_ numa fase já bastante mais avançada da escavação, com remoção à maquina de níveis sedimentares estéreis




O terraço do Monte do Famaco, um sítio atribuído ao Acheulense (Paleolítico Inferior) onde se efectuaram no final dos anos setenta recolhas sistemáticas de superfície e sondagens pontuais.



A Maria João Coutinho numa das sondagens do Monte do Famaco, no final dos anos 70.

O Francisco Sande Lemos no Monte do Famaco ( e o seu célebre "Martelo Ge Geólogo" que quase nos levou aos calabouços do Ródão, quando um GNR pouco dado a trabalho científico, o considerou com o "arma de guerra"...)