sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ainda a propósito de Tongóbriga

Durante esta semana a RTP2, a hora algo impossível, tem vindo a apresentar uma pequena série de programas arqueológicos, sob o título genérico de ESCRITO NA PEDRA, da autoria da jornalista Júlia Fernandes (minha colega da Faculdade de Letras nos idos de 70, e conhecida do público pelo seu antigo e saudoso programa "O Lugar da História"). Graças às modernas tecnologias, tenho a série em gravação, pelo que, irei vendo com calma e quando for oportuno. Por curiosidade vi apenas o primeiro, sobre Milreu, um sítio que após intervalo de décadas visitei recentemente (ver aqui), e apreciei, para além da esperada qualidade da realização e da fotografia, a "magnífica" pose do Zé d'Encarnação. Entretanto sei que um dos programas versará sobre Tongóbriga, o ainda pouco conhecido sítio romano de Marco de Canavezes, redescoberto e trazido à luz do dia pelo Lino Tavares Dias, ao longo de décadas de trabalho árduo (Tongóbriga).

Conheci o Lino no início dos anos 80, precisamente quando ele estava a começar os trabalhos arqueológicos nas chamadas "Ruínas do Freixo" e acompanhei de perto, dadas as minhas funções na altura, o complexo processo de aquisição dos terrenos da velha aldeia que eram necessários para o desenvolvimento das escavações e, posteriormente, para o lançamento do projecto de Escola Profissional de Arqueologia. Por isso, não resisto em editar aqui a foto que recentemente o Lino me enviou e na qual ele toma posse como Director do então Serviço Regional de Arqueologia do Norte. Sucedia em 1988 ao Francisco Sande Lemos, que partindo da experiencia e da estrutura instalada na Unidade de Arqueologia da dinâmica Universidade do Minho, tinha lançado as raízes da salvaguarda do património arqueológico a Norte do Douro. Não seria a única experiencia directiva do Lino no âmbito do património cultural, uma vez que mais tarde, na sequencia de concurso, e após a extinção dos Serviços Regionais de Arqueologia, viria a dirigir a Direcção Regional do Norte do extinto IPPAR. Mas, julgo não errar, que terá sido nos 2 ou 3 anos em que dirigiu o SRA do Norte que as Ruínas do Freixo se converteram verdadeiramente em TONGÓBRIGA.


4 de Maio de 1988, Palácio da Ajuda. Tomada de posse do Lino Tavares Dias, como Director do Serviço Regional de Arqueologia da Norte. A posse é dada por João Bairrão Oleiro (1923-2000) e o acto é testemunhado, entre outros, por Fernando Real, António Faria, Susana Correia (?),  Filomena Barata e por mim próprio. Secretaria um colega então responsável pelos serviços de pessoal do antigo IPPC e que julgo ser o sr. Almeida.

quarta-feira, 1 de julho de 2015


Paisagens arqueológicas a Oeste de Évora

Por um dos acasos da vida que não teve nada a ver com Arqueologia, acabei por me mudar, vai já para duas décadas, de Évora para  Guadalupe. Tinha acompanhado, ainda como Director do antigo e já histórico Serviço Regional de Arqueologia da Zona Sul, trabalhos arqueológicos nesta zona a Oeste de Évora, nomeadamente um interessante projecto internacional, iniciado ainda nos tempos do meu antecessor, o Dr. Caetano de Mello Beirão, que dava pelo nome de Évora Archaeological Survey, coordenado por Colin Burgess da Universidade de Newcastle, as escavações do Mário Varela Gomes nos Almendres, as campanhas da Luisa e da Catarina Viegas com a Inês Vaz Pinto na villa romana da Tourega, o projecto sobre o megalitismo de Vale Rodrigo dos meus amigos Philine Kalb e Martin Hock. Mais tarde, já noutros contextos, surgiram ainda os trabalhos de Manuel Calado em Vale Maria do Meio. De algum modo, é sobre todos esses sítios e projectos que nos dá conta um pequeno mas interessante livro editado nos anos 90 pela C.M.Évora e coordenado pelo Takis, o arqueólogo (grego) funcionário da autarquia desde os anos oitenta e então verdadeiramente o elo de conexão entre quase todos estes projectos e a "máquina" municipal, e que dá pelo sugestivo nome de "Paisagens Arqueológicas a Oeste de Évora".  Muitas vezes, faço o périplo por estes sítios, quase sempre acompanhando colegas arqueólogos de passagem pela região. Há poucos dias recebi em Évora o Nicolas Cawe, arqueólogo belga antigo aluno e colaborador de Marcel Otte na Universidade de Liége e que, nessa qualidade participou activamente entre 1989 e 1992, no projecto luso-belga do Escoural. Actualmente, é arqueólogo no Museu Arqueológico Real de Bruxelas e nessa qualidade tem desenvolvido investigação na Ilha da Páscoa, nomeadamente sobre as culturas relacionadas com as célebres estátuas "moais" . Foi pois com imenso prazer que acompanhei o Nicolas e os amigos belgas com que viajava, nesta redescoberta das paisagens arqueológicas a Oeste de Évora. E como um dos amigos belgas é um conhecido organista profissional (Jean Fernand),


terminámos a nossa viagem com um "concerto privado" no órgão da Catedral de Évora, considerado o mais antigo do país, ainda em funcionamento.



Na Anta Grande do Zambujeiro


Na Gruta do Escoural

Nos jardins do Conventinho de Valverde

Anta-capela de São Brissos

Nas ruínas romanas da Tourega
A minha professora de História

Cumprindo a proposta que havia feito em encontro similar ocorrido em 2014 no Vimeiro (Torres Vedras), recebi no último fim de semana em Guadalupe um grupo de antigos colegas do Seminário de Almada. Para além do inevitável almoço de convívio num restaurante local, do "programa" constava ainda uma visita aos Almendres e à Gruta do Escoural, o prato cultural do evento e que, a crer nas reações e apesar do calor, parece ter correspondido às expectativas. Apesar de orientar frequentemente estas visitas, umas vezes por amizade, outras vezes por obrigação profissional, neste caso senti uma especial responsabilidade. É que o Eduardo Jorge, organizador destes encontros (e o colega com quem, por várias razões, fui mantendo nestes mais de 40 anos, algum contacto), conseguiu descobrir a nossa antiga professora de História em Almada, a Professora Maria Vitória, a qual não quis deixar passar a oportunidade de se encontrar com os antigos alunos. No meu caso em particular, as relações com a Professora Vitória, não haviam começado da melhor forma. Acabada de formar na Faculdade de Letras de Lisboa, era na altura pouco mais velha que os alunos, e estes, pela primeira vez, tinham na sala de aula uma "jovem" e não um "padre"... Uma professora "à defesa" e alunos a tactearem novos territórios, acabou por não dar grandes resultados nas primeiras aulas.  Nada que não se resolvesse rapidamente, acabando a experiencia, pela nossa parte e pela parte da Professora Vitória, como ela agora confessou, por se tornar gratificante e inesquecível. Tendo eu saído de Almada no final desse ano lectivo de 1968/69, ainda assim devo à Dra Maria Vitória, as bases essenciais do conhecimento histórico que tão importantes foram no acesso à Faculdade de Letras, que tentei um ano mais tarde e que, pelos resultados obtidos nos exames do 7º ano, como aluno externo do Liceu D.João de Castro, me dispensaram do terrível exame de aptidão, realizado na própria Faculdade sob o controlo rígido do "mítico" Borges de Macedo. Não tenho já memória de detalhe, da abordagem da Prof. Vitória a temas como a "pré-história" ou a "antiguidade clássica", assuntos que ela tratara na Faculdade com Farinha dos Santos e Fernando de Almeida..., nem foi, certamente, nas suas aulas que decidi vir a ser arqueólogo. Até porque durante muito tempo os meus interesses estavam claramente orientados para a história moderna e contemporânea. Mas nas visitas aos Almendres e à Gruta do Escoural que a Professora Vitória acompanhou com visível interesse, quis mostrar-lhe que tinha valido a pena, para ela e para nós, aquela já distante experiencia pedagógica de 1968/69. Apenas mais uma coincidência que confirma mais uma vez que vivemos afinal numa grande aldeia. A Prof. Maria Vitória de quem não tivera mais notícias nos últimos 45 anos, viria a ser Professora de História do filho do Luis Raposo, o meu colega e grande amigo desde os tempos da Faculdade, com quem partilhei tantos projectos de arqueologia.

Para (minha) memória futura, aqui transcrevo, em texto e imagens, o pormenorizado "relatório" sobre o encontro de Guadalupe, redigido pelo Eduardo Ferreira:

Ao centro, de óculos escuros njo meio dos antigos alunos, a Professora Maria Vitória



Enttre os Almendres e a Gruta do Escoural



ENCONTRO DE ÉVORA – 28JUN2015

RELATÓRIO

            Este Encontro, o sétimo da série (começou em 2006 mas não se realizou em 2 anos) e o que teve lugar mais a sul, para além das muitas caras novas que compareceram apresentou as particularidades de ter uma grande componente cultural e de sermos recebidos magnificamente pelos nossos anfitriões, o António Carlos Silva e esposa Isabel no seu monte, um local muito aprazível, no Alentejo profundo mas ao mesmo tempo perto das principais vias de comunicação e fácil de encontrar.
            O programa indicava que até às 12H00 a  primeira concentração seria em casa do nosso companheiro António Carlos para um aperitivo de boas vindas aos mais madrugadores. Aconteceu afinal que fomos todos madrugadores com uma única exceção - o José Faustino, não que não fosse madrugador mas resolveu ir logo para o segundo ponto de encontro, o cromeleque dos Almendres. E em vez de um aperitivo o que se nos deparou foi uma mesa farta, com os saborosos produtos alentejanos desde o queijo às azeitonas e do salpicão ao paio, a acompanhar com um magnífico pão alentejano e uns vinhos, cervejas e refrescos que nos regalaram e sobretudo refrescaram, numa altura em que o calor imenso já se fazia sentir, tudo isto à sombra de uma latada muito tranquila e à beira de uma piscina em que só apetecia mergulhar e que dava um ar de fresquidão e bucolismo tão necessários ao momento. Creio que muitos até nem se aperceberam bem daqueles encantos tal era a excitação do reencontro e do esforço para reconhecer quem era  aquele que estava a  entrar!
            Dias antes fizera uma tentativa desesperada, por mail e telefone, para trazer a este encontro aqueles dos meus colegas (éramos 19) da turma do 6º Ano de Almada que não tencionavam vir, prometendo-lhes uma agradável surpresa. Só estivemos 10 e a grande surpresa foi a comparência da nossa professora de História do 6º e 7º Anos do Seminário de Almada, a Dra Maria Vitória.  Depois de muitas tentativas falhadas e até ter contactado o Seminário, que já não possui os arquivos de quando pertencia ao Patriarcado, lembrei-me de pedir ao Álvaro Bizarro se me poderia localizar esses arquivos a ver se ao menos poderia encontrar o seu nome completo. Não só me enviou o nome mas até, e sobretudo, me deu logo o número de telefone. Quando a contactei há 2 ou 3 semanas foi uma emoção muito grande para ambos, para mais quando me disse que se lembrava perfeitamente de mim referindo prontamente a minha atividade extra no “Bar do Mestre”! Bem, que memória, e passados 45 anos exatos! Então, nós com os nossos 16/17 anos e a nossa Professora a debutar no ensino, acabadinha de sair da Faculdade! A propósito, e como me referiu logo de seguida, havia um aluno que era praticamente da sua idade e que era e é o António Medeiros. E falámos de quase todos, de uns lembrava-se perfeitamente e dos outros vagamente. Ficou encantadíssima com o facto de nos irmos encontrar e logo me prometeu que compareceria em Évora com todo o prazer. O pior para mim foi mesmo conseguir guardar segredo estes dias todos tal  a alegria e a expetativa que me inundaram. Só referi o caso ao António Carlos e ao Arnaldo bem como a alguns da turma numa derradeira tentativa de os “pressionar” a vir, o que não consegui dados os compromissos que já tinham para este dia.
            O pessoal começou a chegar cedo, Eu próprio com a minha mulher e o João Tomás nem eram ainda 10.30 já lá estava. O João Pereira Lopes, esse então chegou de véspera com a esposa Rosário tendo pernoitado na sua auto-caravana mesmo à entrada do Monte. Foi uma alegria vê-los logo, bem dispostos, depois de um belo serão na festa do S. João em Évora e depois de passada uma bela noite com muito sossego e tranquilidade,,,
            A seguir apareceu logo o Manel Rosa Dias acompanhado da esposa e do Joaquim António. Palavra que se eu não soubesse que o Quim Tó vinha com o Manel nunca mais o reconheceria. Passaram 45 anos e algumas pessoas, como é o caso, mudam de feições de uma maneira que nós não imaginamos. Mas foi um reencontro emocionante e como se viu ao longo do dia muito reconfortante também.
            O Manel Fernando e a Glória não se fizeram esperar e é sempre um prazer enorme voltar a ver aqueles que julgo nunca falharam a um encontro e são bem poucos os que estão nesta posição.
            O Arnaldo acompanhado pelo José Martins fizeram de seguida a sua aparição, sempre bem dispostos e de uma simpatia extrema.
            Depois veio o Vítor Nunes com o Joaquim Dias, depois de perderem à última da hora o companheiro Xico Teófilo obrigado a ficar retido em casa com um arreliador desarranjo geral, após  uma noite de canseira ao serviço da sua associação bairrista alfacinha, ainda a festejar os santos populares.
De seguida começaram a chegar em  catadupla:
                    o António Marques (acompanhado da sua esposa cujo nome não retive) que assentou praça comigo na prefeitura de S. Domingos em Santarém e que por lá se manteve apenas 2 ou 3 anos; também foi uma alegria enorme rever este companheiro depois de 50 anos de intervalo;
                    O Álvaro Bizarro, o único dos ordenados do nosso tempo, que pode estar presente e mesmo assim nem pode almoçar porque entretanto o programa atrasou e tinha que estar em Lisboa ao meio da tarde;
                    A Professora Maria Vitória e o marido Nuno, por sinal um “camarigo” da Guiné (Bedanda e Fulacunda – 1966/68, salvo erro) e com quem os nossos colegas Jorge Pinto, Luís Graça, Pinto Carvalho, Joaquim Jorge, entre outros, muito tem que conversar nos próximos eventos; este simpático casal chegou ao mesmo tempo que o Álvaro pois tinham-se encontrado na estação de serviço da A6 e bem admirados devem te ficado os três quando em conversa se aperceberam que vinham para o mesmo sítio!; fiquei a saber que  Professora Maria Vitória e o Álvaro se mantiveram em contacto ao longo destes anos e daí o facto de me ter facultado de imediato o seu número de telefone; como devem calcular foi uma emoção enorme reencontrar esta nossa professora que no início nos pareceu um tanto “dura” mas que a pouco e pouco nos fez interagir com ela de uma forma extraordinária  de modo a acabarmos o 7º Ano com muita pena de nos termos de separar e lançando a boa semente da História em alguns de nós que acabaram por cursar essa matéria; e cujo grande exemplo disso mesmo é o nosso colega e anfitrião António Carlos – eu vi com que olhar de satisfação e orgulho a professora Maria Vitória escutava o António Carlos nas suas intervenções sobre os monumentos que visitámos!; nas conversas que fomos mantendo ao longo do dia verifiquei o seu embevecimento com os percursos de vida dos seus alunos, não apenas os académico-profissionais mas sobretudo os pessoais, que nos levam a manter esta sã amizade e companheirismo; julgo que ficou rendida aos encantos do nosso convívio e será com muito gosto que daqui para a frente contaremos com o casal nos nossos eventos do género;
                    Lousão Monteiro, em boa hora reencontrado o ano passado e que não quer deixar de dar o seu contributo à tertúlia na companhia da sua Bernardete;
                    José Manuel Mesquita, nosso guarda-redes destemido, o sesimbrense mais procurado e mais desejado por muitos de nós, há pouco e em boa hora reencontrado, e prontamente alinhado com a iniciativa de o trazer ao nosso convívio, que viajou acompanhado pela esposa Conceição;
                    Manuel Maria e Élia,  a inscreverem-se quase ao fechar do pano mas muito a tempo, sempre bem vindos e sorridentes;
                    Júlio Rebelo e Nela acompanhados do casal amigo da Gândara dos Olivais que persisto teimosamente em não fixar os nomes e que já pertencem por direito próprio à família;
                    Xico Silva e a companheira Leonor, penichenses de gema, alcandorado o Xico, por proposta ocorrida neste encontro, ao honroso cargo de organizar o evento de junho/julho de 2016, com responsabilidades acrescidas por se tratar também do 10º aniversário destes encontros,a ter lugar nos arredores da sua cidade natal;
                    Virgílio Mateus, Eduardo Cristóvão e Vítor Coelho que viajaram juntos do Algarve, companheiros de turma, e que pela primeira vez se apresentaram, foi uma satisfação enorme o nosso reencontro e pelo calor humano evidenciado por todos esperamos que esta seja a primeiras de muitas vezes;
                    Moisés Batista com a esposa Isabel e o mano António não faltaram à chamada pese o imenso calor que a todos incomodou e que sobremaneira molestou a Isabel, impedindo-a d participar em todas as atividades programadas;
                    Luís Fernando e a neta Inês a caminho do Algarve para umas merecidas férias e que fizeram o necessário desvio para se encontrarem connosco.
            Falta finalmente falar do José Faustino que se dirigiu logo ao cromeleque e aí aguardou pacientemente por nós. Quando se inscreveu achei piada ao seu voto de ao menos comparecerem mais três dos seus colegas de turma para formarem uma mesa de sueca. Fiz todos os esforços, mas desta vez só compareceu mais um - o José Martins, mas também não houve qualquer hipótese de  pausa para a sueca!
            Fomos assim 24 os companheiros que nos encontrámos em Évora, dos quais 6 pela 1ª vez.
            Avisaram que não poderiam comparecer e enviaram votos de bom encontro os seguintes colegas:
                    José Eugénio (EUA)              - José Virgílio Nunes              - José Luís Ferreira
                    Xico Armandino                    - José Fragoeiro                      - Zé Querido
                    Jorge Pinto                             - Paulo Correia da Silva         - Gil Matos
                    João Borga                             - José Carlos Silva                  - Manuel Pereira da Costa
                    Eduardo Coelho                     - César Delgado                     - Xico Teófilo
                    Acácio Lopes                         - António Medeiros                - João Miguel
                    Rogério Ferreira                     - Henrique Reis                      - Caetano Lopes                    
                    Honório Vieira                       - Fernando Policarpo
                    Cândido Martins                    - António Silva Antunes                                                       
                    Luís Costa                              - João Claudina Lameira
                    Jaime Bonifácio                     - Fonseca Pinto                                 

            Continuando com o relato do acontecimentos, após a bela degustação dos produtos alentejanos em casa do António Carlos deslocámo-nos ao cromeleque dos Almendres onde, de viva voz, o nosso anfitrião nos fez uma pormenorizada descrição daquilo que a comunidade científica descobriu até ao momento, realçando o facto de não haver ainda muitas certezas sobre o assunto.
            O almoço constou de entradas, um gaspacho bem fresquinho e saboroso acolitado por  jaquinzinhos fritos e umas magníficas bochechas de porco preto estufadas. Vinhos branco e tinto a contento,sobremesa e café. Belo repasto muito bem conversado e animado.
            Quase todos aderiram à visita à Gruta do Escoural onde mais uma vez o António Carlos nos brindou com os seus vastos conhecimentos sobre estas matérias numa linguagem simples, viva e atraente.
             Foi na verdade um dia muito bem preparado e melhor vivido por todos nós. É da mais elementar justiça prestar aqui os nossos mais vivos agradecimentos ao António Carlos por tudo aquilo que nos proporcionou. Acresce ainda realçar e enaltecer a sua brilhante ideia e o trabalho que teve em digitalizar a coleção completa do “DIMENSÂO 7”, jornal do nosso tempo de Almada,  que teve a colaboração de muitos de nós com artigos, desenhos e na própria organização, produção, impressão e venda.  Fez questão em copiar para CD.s esse seu trabalho e oferecer a cada um de nós um exemplar que é uma verdadeira relíquia.
            Pese embora o elevado calor ambiente (42º) o pessoal não arredou pé e nem sequer houve tempo para partilhar fotos como é costume e os nossos 6 debutantes bem mereciam, mas teve que ficar para uma próxima oportunidade.
            E foi do parque automóvel da Gruta, quase às 19H00, que me despedi dos últimos companheiros e da professora Vítória. Mas alguns ainda lá ficaram na conversa,  casos do Manel Rosa Dias, Quim Tó, Virgílio, Eduardo Cristovão e Vítor Coelho
            Já sabem que o próximo evento é a caldeirada na festa anual de Ribamar da Lourinhã, na 2ª ou 3ª segunda-feira de outubro. Quando souber o dia certo enviarei a respetiva convocatória.

            Até lá e um grande abraço a todos do 
                                   Eduardo Jorge

quarta-feira, 24 de junho de 2015


João Inês Vaz
(1951-2015)


Mesmo em férias, a fatídica e inesperada notícia chegou-me mais uma vez via Archport, graças à atenção e ao cuidado do José d'Encarnação, e conhecendo ambos, posso de facto imaginar o especial pesar com que este deu a dolorosa notícia. Apesar de sermos da mesma idade e de termos frequentado a Faculdade quase ao mesmo tempo, apenas conheci o João no início dos anos 80, quando ambos nos iniciávamos profissionalmente na Arqueologia, (com um percurso prévio semelhante no ensino secundário) numa época em que a "comunidade dos arqueólogos" era ainda pouco mais do que uma grande família (com todas as alegrias mas também as inevitáveis desavenças ...). Provínhamos, é certo, de escolas bem diferentes, ele da clássica Coimbra e eu da pré-histórica Lisboa, mas isso nunca impediu o convívio e a camaradagem entre colegas (e amigos, julgo que o poso afirmar) que partilhavam a paixão pelo conhecimento e divulgação do património da nossa terra. Desde que vim para Évora, porém, os nossos encontros tornaram-se mais raros, limitados à ocasional frequência de colóquios, congressos ou outros eventos relacionados com arqueologia e património. Recordo em particular, uma intervenção que fiz em Viseu, há bastante tempo e a seu convite, no pólo local da Faculdade Católica, sobre o projecto arqueológico do Alqueva. Ultimamente, graças ao Facebook (as redes sociais também têm aspectos positivos) ia seguindo com interesse as notícias, ainda que não muito frequentes, que ia dando das suas actividades. Interessou-me em particular a sua ligação a um círculo (fundação, associação?) ligado à divulgação da obra de Aquilino Ribeiro, um autor que me marcou muito desde a adolescência, graças à leitura de livros como o "Romance da Raposa" ou o "Malhadinhas", para não falar dos romances que li mais tarde. Aliás, recordo bem a visita que fiz em meados dos anos oitenta com João da Palma-Ferreira (então presidente do IPPC) à casa de Aquilino, na Soutosa (Moimenta da Beira), no decurso de uma viagem de trabalho à zona de Viseu, na qual a temática arqueológica da região (colecções do Cónego Celso, Cava do Viriato, Castro da Sra da Guia, arqueologia urbana em Viseu, etc..) esteve bem presente com a ajuda do José Beleza Moreira, director do Serviço Regional de Arqueologia do Centro e ex-colega em Coimbra do João Inês Vaz.

Em memória do João Inês Vaz, aqui transcrevo com a devida vénia o emocionado texto que o Zé d'Encarnação ontem divulgou no ARCHPORT.


In memoriam de João Luís da Inês Vaz

            Os que me conhecem e conheceram o Doutor João Vaz imaginam quanto me custa elaborar esta nota necrológica sobre um amigo do peito e companheiro de tantas andanças pelas lides da Arqueologia, da História Antiga e da Epigrafia, que hoje inesperadamente, vítima de colapso cardíaco fulminante, faleceu na quinta de Dalvares (Tarouca), quando, mui tranquilamente, se entregava a trabalhos agrícolas.
            Está em fase de conclusão a edição da actas da VIII Mesa-redonda Internacional sobre a «Lusitânia Romana - Entre Romanos e Bárbaros», que mui gostosamente e com enorme brio, organizara em Maio de 2013, em Mangualde, na sequência da participação noutras mesas-redondas dessa série. E, claro, muito havia a esperar dele, porque, tendo nascido no Soito (Sabugal), a 13 de Novembro de 1951, contava, pois, apenas… 63 anos!
            Tive ocasião de acompanhar muito de perto toda a sua carreira, pois foi meu aluno na Pré-Especializaçãoem Arqueologia, no ano lectivo de 1975-1976, e logo nessa altura nos apercebemos da sua inteligência, dinamismo, vontade de aprender e de… trabalhar, inclusive em Arqueologia, pois participou, ainda como estudante, quer nas campanhas que, nessa altura, o Doutor Jorge Alarcão fez em Collipo e em Conimbriga, quer em Braga, cujo projecto de salvaguarda dos vestígios romanos de Bracara Augusta dava, nessa altura, os primeiros passos!
            E logo no ano lectivo de 1977-1978, fez estágio pedagógico para o Ensino Secundário na Escola Secundária de Alves Martins, em Viseu, estágio que concluiu com a classificação final de 16 valores. Foi docente do Ensino Secundário e leccionou, nomeadamente em regime requisição, no Centro de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.
            Foi Governador Civil do Distrito de Viseu desde 18 de Novembro de 1995 a 30 de Abril de 2002, cargo para que foi nomeado atendendo também ao enorme trabalho, mormente de índole cultural que cedo começou a desenvolver na cidade de Viseu, de cuja Câmara Municipal fora, de resto, vereador de Dezembro de 1993 aNovembro de 1995. Organizou, por exemplo, os dois colóquios arqueológicos de Viseu, em 1988 e 1990.
            Membro da Comissão Científica do (actual) Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património, unidade de investigação a que sempre pertenceu, desde que foi criada na Universidade de Coimbra, depois de se ter interessado pela Arqueologia, pela História Local e Regional, foi a História Antiga e a Epigrafia que mais concitaram os seus interesses científicos. A sua tese de doutoramento sobre a civitas de Viseu (defendeu-a, em Pré-História e Arqueologia pela Universidade de Coimbra, a 20.10.1993) constitui, ainda hoje, uma obra de referência incontornável. Integrava a equipa de revista Hispania Epigraphica (da Universidade Complutense de Madrid), sendo, por isso, encarregado de rever todos os textos publicados sobre Epigrafia Romana, sobretudo na zona centro do País.
            Incansável defensor do património cultural; lutador; homem de causas que mui corajosamente abraçava; pai extremoso (como se poderá ver pelas informações acerca dos filhos que amiúde colocava no facebook - sua filha Gisela doutorara-se não há muito tempo, em Dublin, com um trabalho deveras inovador) - João Luís da Inês Vaz deixa-nos uma saudade imensa!
            E só nos resta elevar por ele uma prece: que descanse em paz!
            À sua mulher, Amélia Albuquerque, ao seu filho Edgar e à Gisela – apresento os mais sentidos pêsames, em meu nome pessoal e, creio poder afirmá-lo, em nome da comunidade arqueológica peninsular e, de modo especial, dos membros do centro de investigação a que pertencia e do Instituto de Arqueologia de Coimbra, que muito se honra em o ter como um dos seus primeiros alunos formados na Pré-Especialização.

                                                                                                José d’Encarnação

terça-feira, 16 de junho de 2015

Glandes plumbeae


Para os não especialistas em arqueologia romana (incluo-me obviamente na categoria) este título significa simplesmente, "projécteis de funda em chumbo" e aprendi (com algum embaraço) que podem ser elementos muito interessantes da cultura material romana ligados à vida militar, dada a sua mais valia como indicadores histórico-cronológicos. Dois factos recentes e praticamente coincidentes, fizeram-me recordar como aprendi a reconhecer estes artefactos. No dia em que o Rui Mataloto me enviou um dos seus últimos trabalhos (A propósito de um conjunto de glandes plumbeae: o Castelo dasJuntas (Moura) no contexto do episódio Sertoriano das Guerras Civis na margem esquerda do Guadiana - http://www.museumunicipalvfxira.pt/files/3/documentos/20150506172145722916.pdf) tinha acabado de estar no Museu de Évora frente à vitrine com materiais do Castelo da Lousa, uma parte do conjunto resultante das escavações que Afonso do Paço aí realizou nos anos 60. A razão de tal visita feita com o Arquitecto Pedro Pacheco e a responsável pelo Museu da Luz, Maria João Lança, relaciona-se com um projecto ainda em embrião de realização de uma exposição sobre o afundado Castelo da Lousa e, lá tive de explicar ao Pedro Pacheco, que artefactos eram aqueles pequenos "chumbos".

A vitrine do Castelo da Lousa no Museu de Évora e as três glandes plumbeae do Castelo da Lousa (escavações de Afonso do Paço)



Julgo que terá sido numa das primeiras campanhas na Foz do Enxarrique, dirigidas pelo Luis Raposo e por mim nas margens do Tejo em Ródão, um sítio do Paleolítico Médio identificado no final dos anos 70 pelo nosso amigo Francisco Henriques, que após meticulosa escavação do que parecia uma lareira paleolítica, semelhante à que escaváramos em Vilas Ruivas anos antes, se descobriram em directa associação com a dita lareira, três objectos de chumbo que deitaram por terra a hipótese de estarmos perante estruturas da idade da pedra. De facto ao contrário de Vilas Ruivas, sítio paleolítico "contemporâneo" do Enxarrique, em que encontrámos estruturas de habitat e combustão, estando ausentes os vestígios de fauna, neste caso a fauna era abundantíssima (incluindo um raro fragmento de antepassado do elefante) mas não havia sinais de estruturas. E perante o achado de "chumbadas de pesca", precipitadamente classificadas como tal pelos "especialistas paleolíticos", a lareira foi imediatamente classificada de "moderna". Mais tarde pudémos mesmo confirmar essa diferenciação com uma leitura mais atenta da própria estratigrafia do local. Assim deveriamos estar perante os vestígios de uma pescaria, até porque o sítio era desde sempre procurado para esse efeito. Meses mais tarde, por mero acaso, tivémos a sorte do Amílcar Guerra, na altura a escavar com Carlos Fabião um acampamento militar romano em Arganil, a "Lomba do Canho", identificado nos anos 50 por João de Castro Nunes, ter reparado nas "chumbadas" esquecidas em cima da secretária do Luis Raposo no primeiro andar do Museu de Arqueologia, em Belém. Algum tempo depois num artigo que Amilcar Guerra preparou para O Arqueólogo Português (Vol. 5 da S. IV) as três "glandes plumbeae" do Enxarrique seriam devidamente publicadas, correspondendo aos últimos nºs de catálogo do inventário geral das glandes encontradas até então no território português, num total de 28, ao lado dos conjuntos de Mértola (3) Casal da Cascalheira, Chamusca (9) do Castelo da Lousa (3), hoje expostos em Évora, de Carviçais, Moncorvo (1) e da Lomba do Canho (9).
 
As glandes do Castelo da Lousa (14,15 e 16) e da Foz do Enxarrique (26,27 e 28), publicadas por Amilcar Guerra

De referir que este catálogo está claramente desactualizado, tendo em conta a informação disponibilizada entretanto por Rui Mataloto no artigo acima citado. Com efeito, provenientes do Castelo das Juntas, um sítio nas margens da Ribeira do Alcarrache (Moura) identificado por Fragoso de Lima nos anos 30 e estudado no âmbito do Alqueva, Mataloto publica cerca de seis dezenas de projécteis ainda que, quase todos associados a um antigo achado ocasional, provavelmente com o apoio (hoje legalmente de uso muito restrito) de um detector de metais. No âmbito daquele estudo Rui Mataloto publica ainda 4 novos achados nas escavações do Alqueva, 3 das Juntas e um da Lousa.

Gravura publicada por Rui Mataloto: A- projécteis encontrados nas escavações do Alqueva, no Castelo das Juntas; 67- novo projéctil das escavações do Alqueva no Castelo da Lousa que se vem acrescentar aos 3 do Museu de Évora

Em resumo, e ainda para os mais leigos que eu nesta matéria, donde vem a importância destes pequenos objectos? Antes de mais o seu tempo de uso parece ter sido algo limitado e no território português parecem sempre associados a sítios atribuídos à época republicana, ou seja aos séculos II e I a.C.Sabemos que os romanos também usavam outros projectos manuais, com recurso ou não à funda,as glandes latericiae, ou seja, em pedra, mais ou menos afeiçoada para o efeito. Aparentemente, o uso do chumbo, por razões económicos deverá ter sido abandonado em época imperial. Depois, vem sempre a informação funcional destes objectos "militares". O seu aparecimento pode ou não servir de indicador da presença de militar ou até de actividade bélica? No caso do Castelo da Lousa, o seu aparecimento foi um dos argumentos básicos para o arqueólogo (antigo militar, com o posto de Coronel) Afonso do Paço considerar estar na presença de um pequeno forte, suficiente para abrigar um destacamento de controle do Guadiana, tese hoje afastada pelos resultados das campanhas de escavação, já publicadas, realizadas no contexto do Alqueva. E no que se refere ao Enxarrique, sítio nas margens do Tejo fronteiro às estratégicas Portas do Ródão, local de passagem do Tejo, como aconteceu com a primeira invasão francesa de Junot em 1807 (retratada em numerosas gravuras da época)? Eu e o Luis Raposo, graças à ajuda do Amílcar Guerra sempre gostámos de imaginar que afinal, a tal fogueira que inicialmente atribuiramos a caçadores do Paleolítico Médio (o que lhe daria a bonita idade de pelo menos 30 000 anos), servira afinal para aquecer a noite a um pequeno destacamento ao serviço das tropas do General Junio Bruto que algures no século II a C (há uns míseros 2 000 anos) escolhera aquele local, de inegável beleza e espectacular enquadramento, para acampar. As glandes plumbeae ali esquecidas, acabaram por ser o elo perdido com a memória desse acaso.


A Foz do Enxarrique (junto á tomada de água) vistas das Portas do Ródão. Escavações no sítio do Paleolítico Médio da Foz do Enxarrique, nos anos 80.

domingo, 14 de junho de 2015

Novos livros, entre Évora e Mértola

Há dias assim. Precisávamos ter o dom da ubiquidade para poder acompanhar os amigos em ocasiões que sabemos, por experiencia própria, serem particularmente importantes. No nosso campo de trabalho, publicar um livro de maior ou menor fôlego, representa vencer mais uma etapa, atingir uma meta importante num percurso pessoal quantas vezes feito a pulso e com grandes dificuldades, circunstancia que dá especial significado a estes momentos, partilhados com amigos e companheiros de ofício ou de interesses. É verdade que nestas ocasiões também está presente o lado social, mais ou menos interessante enquanto contributo importante de divulgação cultural, mais ou menos displicente enquanto oportunidade para uns quantos se mostrarem ou serem vistos.Vem tudo isto a propósito de na passada sexta-feira (12 de Junho) terem coincidido dois eventos desta natureza a que gostaria de não falhar. Em Évora, no museu, o Vitor Serrão apresentava o seu mais recente trabalho "Arte, religião e imagens em Évora-no tempo do Arcebispo D.Teotónio de Bragança, 1578-1602" e em Lisboa, no MNA,a equipa de Mértola, de uma assentada, divulgava mais quatro livros, produzidos no âmbito do projecto iniciado quase há quatro décadas por Cláudio Torres na vila alentejana. "Catálogo geral do Museu de Mértola", "Memória dos sabores do Mediterrâneo", "Entre Roma e o Islão" e "Cerâmica islâmica de Mértola". Naturalmente, alguns destes livros tinham sido editados já há algum tempo e o lançamento do último, da autoria de Susana Gomez, acontecera há poucos dias em Évora, no contexto de uma importante exposição versando a temática da herança islâmica eborense actualmente aberta ao público no Convento dos Remédios desta cidade. Ligam-me antigos e sólidos laços de amizade com toda a equipa de Mértola, praticamente desde o início do projecto, na medida em que através das minhas diferentes funções, primeiro em Lisboa no Departamento de Arqueologia do IPPC, depois em Évora, no Serviço Regional de Arqueologia do Sul, não faltaram ocasiões em que foi necessário, de alguma maneira e no que estava ao meu alcance, dar uma mãozinha à "malta de Mértola". Ou porque, (sobretudo nos primeiros tempos), o projecto não agradava politicamente a certas entidades com algum poder de decisão no estabelecimento de prioridades na hora de atribuir os magros subsídios à arqueologia, ou porque as questões burocrático-administrativas, que não eram de facto o forte do Cláudio Torres, por vezes precisavam de um empurrãozinho para se desbloquear. Apesar disso, acabei por optar por ficar em Évora e assistir ao lançamento do livro do Vitor Serrão. Afinal, somos colegas de curso  na Faculdade de Letras de Lisboa (1970-75) colegas de estudo desde o primeiro ano (graças à biblioteca do pai Joaquim Veríssimo Serrão)  mas também  companheiros de alguma pândega estudantil e, finalmente, ambos parte da tal geração do Tejo, que apesar dos caminhos diferenciados que cada um seguiu, se forjou no trabalho de campo da descoberta e registo da arte rupestre do Ródão. Uma outra razão me fez optar pela obra do Vítor. Afinal, trata de uma figura (D.Teotónio de Bragança) que na esteira de André de Resende e antecipando-se a Frei Manuel do Cenáculo, terá tido um papel importante e até hoje quase ignorado, na construção de uma "pré-arqueologia" alentejana, um tema que pelas mais variadas razões me interessa. Jà conhecia um dos capítulos que o Vítor tivera a amabilidade de me enviar e, desde essa altura que aguardava a oportunidade de o ler na totalidade. Certamente daí virão algumas deixas para novas entradas neste "blog" que, por muitos e variados afazeres, tem estado algo parado nos últimos dias.


A apresentação do livro de Vítor Serrão no Museu de Évora. A edição contou com o apoio da Fundação da Casa de Bragança, o que explica a presença e intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, na qualidade de presidente da dita Fundação. Na mesa para além do Director do Museu e do autor, a Directora Regional de Cultura do Alentejo e Miguel Soromenho que fez a apresentação da obra.
O convite para a sessão no MNA
Em Évora (4 de Junho) no Convento dos Remédios, intervenção de Cláudio Torres por ocasião da apresentação pública do livro "Cerâmica Islâmica de Mértola", da autoria de Susana Gomez, também na foto.